INSTITUTO DE FONIATRIA E FONOAUDIOLOGIA
Centro de Prevenção da Dislexia Clínica da Fala, Voz e Linguagem Audiologia

Dentro do enfoque foniátrico, qualquer falha que ocorra em algum dos elos da complexa cadeia de estruturas e funções da comunicação oral pode ser o ponto de partida para o surgimento da gagueira. A falha pode estar na dificuldade da pronta evocação de palavras.Também pode estar na organização da idéia a ser transmitida, na programação dos movimentos que os órgãos articuladores deverão realizar, na falta de agilidade motora sincronizada das estruturas encarregadas de articular os sons da fala e, ainda, na falta de vigor do "fole" pulmonar para a produção da voz através de vibração das cordas (pregas) vocais.
São alterações sutis, que só um especialista detecta. Quanto mais precocemente forem diagnosticadas e tratadas, às vezes com o auxílio de medicamentos que a medicina foniatrica hoje dispõe, é menor a possibilidade da gagueira manifestar-se. Com isso, evita-se levar a criança ao sofrimento, através da ansiedade, da angústia e da frustração crescentes.
A gagueira pode ser evitada e se instalada pode ser tratada com bons resultados. Um grande obstáculo é a conotação folclórica que habitualmente dela se faz. Não só quanto a sua origem, que redunda na demora para procurar um especialista, mas principalmente com relação aos procedimentos familiares usados para resolvê-la. Os mais graves e freqüentes são a pressão e a cobrança sobre o desempenho da criança, como se o gaguejar fosse uma opção feita por ela, que, se quisesse e /ou tivesse força de vontade, pudesse deixar de fazê-lo.
Essas condutas só contribuem para agravar o problema. Em lugar de pressão e cobrança, é preciso procurar a ajuda de um especialista, pois é com orientação adequada e com compreensão que se trata a gagueira.

Dr. Evaldo J. B. Rodrigues

GAGUEIRA PODE SER TRATADA E EVITADA

Igualmente desastrosas são duas situações:
a providência certa na hora errada;
a providência errada na hora certa.

A gagueira é uma patologia da infância. Caracteriza-se pela alteração do ritmo da fala, com tal freqüência e intensidade, que prejudica a inteligibilidade da mensagem e leva à angústia, tanto o falante quanto o ouvinte. Evolui por períodos de boa fluência, intercalados com surtos de má fluência que se tornam mais freqüentes e duradouros com o correr do tempo. Até os 5 anos de idade 50% das gagueiras já se instalaram, até os 8 anos 90% e até os 12 anos 99%. Depois de instalada, podemos dizer que a gagueira se "auto-alimenta" com as sensações de insucesso no ato de comunicar, que sucessivamente vão-se acumulando e levam a criança à ansiedade e à expectativa de fracasso a cada nova tentativa.
O desconforto para falar é tanto mais intenso quanto maior a importância do interlocutor e do conteúdo da mensagem a ser transmitida. A gagueira acentua-se quando a criança está se dirigindo aos pais, aos professores, falando na presença de muitos ouvintes, de pessoas estranhas, ou quando se trata de assunto relevante para ela.