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VOZ

“XiXi” NA CAMA E ROUQUIDÃO INFANTIL

(ENURESE NOTURNA E DISFONIA)

PODEM TER A MESMA CAUSA E SOLUÇÃO

Evaldo José Bizachi Rodrigues

A rouquidão (disfonia) e a enurese noturna (“xixi na cama”), apesar de aparentemente sem qualquer correlação, são sinais clínicos frequentemente associados, que muitas vezes apontam para um mesmo tipo de disfunção, resultante da flacidez dos músculos (hipotonia) e/ou da frouxidão de ligamentos (vide Síndrome EValDO).

É um quadro clínico frequente na infância, com a presença de vários sinais e sintomas. O denominador comum é a debilidade da força resultante da contração muscular. Apesar do esforço despendido para realizá-la, o mecanismo de tração é frouxo nas articulações e nos pontos de inserção dos músculos.

Nessas crianças são comuns alterações da atividade muscular na produção da voz (fonação) e no controle do esvaziamento da bexiga, ao lado de outras, que levam a discretas incapacitações motoras, muitas vezes percebidas, mas não valorizadas pelos pais.

A rouquidão manifesta-se pelo tom grave da voz (voz grossa) e pelo timbre áspero. O esforço para produzir a voz é tão grande que leva ao aumento do volume do pescoço e das veias superficiais.

Mais frequente que esses aspectos do comprometimento da voz é a dificuldade na modulação da sua intensidade. Neste caso, a voz é quase sussurrada ou gritada, o que é mais habitual, a ponto dos pais suspeitarem, geralmente de maneira equivocada, de problema da audição. A voz gritada costuma ser um dos primeiros sinais da disfonia.

Essas distorções da qualidade da voz, e na maneira de produzi-la, são sinais marcantes da debilidade da musculatura da fonação, forçando a atividade exagerada de outros músculos que, normalmente, não deveriam participar desse processo. Pode ocorrer o surgimento de nódulo vocal (calo) no ponto de maior atrito das pregas vocais.

enurese noturna costuma vir em associação frequente com a disfonia nesses quadros clínicos. O controle do esvaziamento da bexiga, também controlado por músculos, é regulado pela ação de dois tipos de comandos: o involuntário (visceral) e o comando voluntário. Depois de automatizado, entre os dois e três anos de idade, predomina o comando voluntário.

Durante o sono, quando normalmente todos os músculos estão relaxados, a  flacidez muscular e/ou frouxidão de ligamentos impede que o comando voluntário (automatizado)   se sobreponha ao involuntário. Com isso, não há controle eficiente da bexiga enquanto dormem. Durante anos, a enurese noturna era explicada como cosequência de doenças do sistema urinário, de causas metabólicas ou neurológicas  e, na ausência dessas situações, atribuída a causas psicológicas. Hoje se sabe que, além dessas causas mencionadas, uma parcela importante da enurese noturna, e do escape de urina diurno (incontinência), acontece no contexto de hipotonia.

A medicina foniátrica  dispõe de recursos que interferem de maneira positiva  no tratamento  dessas situações  que tanto afetam a autoestima e limitam a interação dessas crianças.

Adultos que têm o padrão muscular hipotônico tendem a apresentar sintoma/s equivalentes aos da infância, que são representados pela rouquidão e a necessidade de levantar à noite para esvaziar a bexiga. Também respondem bem ao tratamento, similar ao da infância, que modifica a condição funcional da atividade muscular   e  facilita a eficiência  da  fonoterapia  na abordagem  da disfonia .